Permita-me morrer

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Meus seios avisaram. Na doença do sexo, acabei-me.

Emagreci com manchas pelo corpo e a pneumonia insistente parou com meu vício.

Não imaginei, que o meu único prazer levaria minha vida.

E agora, grito por dentro, porque forças me faltam. Não há ninguém para escutar.

Abandonada na cama, palco de orgias.

Se tudo pode chocar.

A mim, nem as mulheres que eu me deitava…

Nem o líquido dourado invadindo minha boca. Porque o resto é comum.

Nem vários homens me cobiçando e me dividindo grosseiramente juntos nessa cama…

Nessa cama… Que resta um corpo de pele e osso.

Nunca evitei os exageros, mas sim o látex porque me depreciava com alergias.

Desejei a morte muitas vezes, mas agora essa palavra me atinge estranhamente. Sem hipocrisia. Tenho medo.

A beleza me trouxe homens e mulheres aos meus pés.

Aproveitei-me para querer, ter e ser.

E um mundo intenso surgiu diante da minha solidão.

Nenhum homem que antes beijava meu sexo, encoraja-se a me abraçar.

Meu perfume lúbrico confunde-se com o cheiro fétido da minha pele.

Já perdi a perfeição, me restaria o caráter, se tivesse.

Toda crueldade praticada é como o reflexo de um espelho…

Barbaridades multiplicadas me afetam.

Não acredito em pecados!

Sei o que é errado, tornei meu hábito e acredito no certo incerto.

Amei todos os homens e muitas mulheres.

Amei até aquele que já mortificado pela doença possuiu-me sem remorso.

Pela moléstia fatal e por ser meu PAI.

Originalmente escrito 11/10/2010

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