FAKE

Fingia tudo tão perfeitamente.

A foto na internet só insinuava seu melhor ângulo. Os lábios bem pintados não ficavam tão sensuais quanto a silhueta distorcida, sabia exatamente como provocar.

E aqueles que a esperteza e inteligência é um dom maior. Aceitavam a provocação.

Conversas soltas, sempre através de um monitor. E o desejo aumentava com a imaginação.

Continuou a fingir. Sem mostrar a bunda, é fácil ser o que não se é.

Simulava um bom papo, a mulher que tudo quer e tudo sabe. Subestimavam sua inteligência, porque gostosas não pensam para aqueles internautas cafajestes.

Tão perfeita que as palavras convenciam. Na web cam o exibicionismo desses homens de alto apreço não a excitava, mas divirtia-se.

Submissão masculina não é um fetiche. Não para ela. A Deusa de tantos internautas. Com seus mistérios conquistou a confiança de cada um. Dissimulada, enquanto observava o exibicionismo deles pela tela, mandava a imagem diretamente para quem quisesse ver.

Arrumou os óculos pesados sobre os olhos, tomou uma garrafa de extrato de noz de cola e voltou para o balde de pipoca enquanto ajeitava sua gordura mórbida na cadeira.

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Foto: Australian artist Kristy Milliken.

Originalmente publicado em 24/10/2011

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