Entrelinhas de luxúria

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Ariel, até no nome gostava de confundir.

De origem Hebraica, originalmente masculino. Depois que a Disney criou a pequena sereia Ariel, a regra mudou.

Os cabelos longos e levemente ondulados, as curvas acentuadas e os lábios suculentos condiziam a uma personagem daquelas que acreditamos não existir. Mas Ariel só não existia, como aterrorizava a mente masculina e feminina que tinham o prazer em conhecê-la ou simplesmente cruzar seu caminho.

Num instante carinhosamente afagava um cãozinho e condoidamente podia recolhê-lo do frio. No momento seguinte, ninguém podia imaginar o que a moça do interior, cheia de vida, energia e a intensidade querendo confrontar com o mundo, era capaz.

Cidade pequena tem que ter muita discrição, qualquer coisa fora do comum, cai na boca do povo. Distorcido. Mas tudo que Ariel fazia, não tinha como ficar pior na língua mais ferina. Discreta, ninguém sabia de seus amores.

Não era amiga, era perdição.

Santana do Itararé, com uma população que foi reduzindo conforme os anos foram passando, cerca de 6.000 habitantes. Na festa tradicional e religiosa Santa Ana, Ariel e suas amigas se preparavam para os dias seguintes. Sabendo que caras novas circulariam pela cidade.

Vestido e sapato novo. Na idade em que os hormônios não se reprimem e desequilibram, as espinhas denunciam toda e qualquer intenção. Já tinha colorido mechas loiras no cabelo ruivo, mas eram o azul turquesa dos olhos que mais impressionava. Enquanto suas amigas sofriam tentando esconder o brilho do rosto, Ariel tinha uma pele pessegada e sem modéstia dizia: “Genética boa, tenho eu. Veja meus peitinhos.”

E sem vacilar os exibiam durinhos, arrendondados e o bico ereto explodindo de desejos. Vanessa, quando chegou nos seus 15 anos já não conseguia mais passar despercebida dos olhos mais astutos. Ariel sabia bem qual era da amiga masculinizada.

“Vem amiga, segura nos meus peitos, deixa de ser boba, vem!” As outras entreolhavam-se amedrontadas. Mas ninguém atrevia-se falar alguma coisa. Sem a amizade de Ariel naquela pequena cidade, era estar só. Maliciosamente fingiam, obedeciam as regras que a Musa de Santana delicadamente infligia.

Vanessa corou, o coração bateu tão forte que quase o sentiu na boca assim que encostou os dedos no mamilo. Ariel puxou suas mãos e as colocou sobre seu peito. “Pegue de verdade!” Sentí-los novamente a fez lembrar de uma situação dois anos antes.

***

13 anos de pura curiosidade. E as duas sempre juntas, até banho tomaram algumas vezes.

Foi quando descobriram a sexualidade de uma maneira nada tradicional. Vanessa apaixonou-se pela amiga e revelou-se bissexual. Não gostava de relembrar a última vez, a saudade surgia com a mágoa. Ariel tinha desejos indiscretos ao explorar o que ainda não conhecia.

A perversidade nasceu na personalidade um tanto obscura de sua beleza exótica, para conseguir qualquer coisa. Era mestre em manipular.

***

Sozinhas em casa, os pais de Vanessa tinham saído e o irmão brincava no vizinho. Certificaram-se que todas as portas estivessem trancadas, coisa boa não tinham em mente. Ariel preferia estar com o irmão da amiga, mas esse ainda brincava de bola e esconde-esconde. “Meninas amadurecem tão antes! Pensou, passando a mão pelos seios.”

Até aquele dia só haviam trocado carícias. Mas Ariel queria muito mais.

Na cama dos pais da amiga deitou-se completamente nua. Abriu as pernas e nem precisou pedir para que logo sentisse a língua entre seu sexo.

Quando chegou sua vez, só balançou a cabeça recusando. ” Não gosto, o macho aqui é você. Fique de quatro, vou lhe dar prazer de outra forma.”

Explorou o botãozinho da amiga com pouca delicadeza, mesmo ela queixando-se de dor. No meio às roupas jogadas pelo chão encontrou um cinto e marcou seu corpo. Onde os sinais que fez em sua pele sangraram, Ariel saboreou com a língua. E com um sorriso dissimulado falou indiferente. “Essas marcas logo desparecem!”

Vestiu-se.

Foi a última vez que estiveram juntas dessa maneira.

***

As mãos da Vanessa ainda seguravam os peitos da amiga. Talvez com força maior que deveria, porque só quando encarou os olhos cheios de dor de Ariel e pavor das outras amigas percebeu o sangue em suas unhas.

” Nossa, está sangrando! Desculpa, essas marcas logo desaparecem!

Originalente publicado 20/01/2013

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