Pelos olhos de um voyeur

inshot_20180627_101247129491264621.jpgDesci a escadaria, o vestido plissado não era branco, mesmo assim ele observou minhas coxas no descuido propositadamente. Tinha o mesmo descuido nos cabelos emoldurados pelo vento.

As madeixas caindo pelo colo o excitaria tanto quanto minhas pernas.

Eu não gostava, mas seu olhar era como uma poesia eroticamente desenhada.

Eu sabia, seus olhos demoravam horas em mim. E eu aproveitava do voyeurismo para provocar.

Ele era só um motorista, me cercando de cuidados cada vez que me levava para algum lugar.

A vida me foi caridosa em todos os sentidos e a genética herdada do pai, me tornava a garota preferida do colégio.

Quando os dias mais ensolarados chegavam, a provocação não vinha só da saia curta, mas os primeiros botões da camisa estavam sempre desabotoados até chegar ao portão do colégio.

E o espelho retrovisor interno estrategicamente colocado, no banco de trás eu preferia estar.

Descia arrumando a calcinha, não passava despercebido para “olhos verdes” como eu o chamava.

“Olhos verdes” nunca me tocaria, observava e eu permitia. Esse era o limite para nossa intimidade.

Recentemente completado meus 18 anos e muito mais atrevida. Nos compreendíamos na troca de olhares pelo espelho do carro.

Sentei atrás, onde pudesse ver-me mais facilmente. Estava levando-me a uma festa de amigos quando descruzei as pernas e levantei um pouco mais o vestido de tom brilhoso. Seus olhos cresceram no meu quadril e não perdia um só movimento da minha mão por baixo do vestido.

Sem pressa deslizei as mãos até o joelho trazendo a calcinha. Percebi sua respiração já um tanto ofegante e a nuca transpirando.

Tirei uma perna da calcinha e a ergui no banco. Não resistiu e desceu o espelho até a imagem que lhe fez ter o primeiro orgasmo da noite.

Fechei os olhos e me acariciei. Imaginando seus dedos dentro de mim. Arrancou no sinal verde sem a menor pressa e não importou-se com as buzinas. Os vidros embaçados pela nossa respiração. O cheiro de sexo, mesmo sem sexo.

Exagerei quando levantei-me e lhe dei as costas, de joelho e abraçada ao porta-malas, ergui o vestido até ele poder visualizar o que mais os homens veneram.

Gemidos abafados rendeu-se ao segundo orgasmo dele.

Eu queria mais. Provoquei, com atitudes sem palavras. E da mesma maneira ele me respondeu.

Quando o toquei, já quase lhe beijando, sua fisionomia alterada saiu do carro e abriu a porta do passageiro me pedindo com os olhos compreensão.

Retirei-me deixando vestígios.

Originalmente publicado dia 2 de maio de 2013

 

 

 

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