Riscos e Rabiscos

De repente foi ficando cada vez mais fácil aceitar.

Todo e qualquer pesadelo que viesse do seu lençol.

Lembrei o que eu fazia enquanto me despia. Sem erros. Sem medidas. Só uma penumbra. Cobria retorcidamente nossos corpos.

Ele rabiscou meus olhos num pedaço de papel, sem a mesma intensidade do mar.

Escondido do lado esquerdo do peito carregava meu segredo. Nem à minha sombra revelei. Com medo que o dia chegasse mais rápido. Apertei meus lábios contra os seus, tentando calar-me do que eu tinha que contar.

Mas a vontade de entregar-me superou razões.

Me perdi entre seu sexo. Tudo agora tinha nexo, menos o fim.

Lambuzei-me do seu líquido esperando seu perdão no gosto tão amargo.

Nem a lua refletida na Iris dos olhos castanhos sumiu diante a verdade, porque as lágrimas não surgiram. Quanta dor poderia ser evitada se eu não tivesse caráter.

Respeitei o silêncio ressentido. Nenhuma palavra poderia ser dita. Só um gesto foi a certeza da despedida.

Um beijo carinhoso em meu ventre. Naquele que sabia, não poderia ser seu filho.

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Originalmente postado 4/11/2015.

 

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